quarta-feira, março 24, 2010

Minha modesta humanidade

A crença arraigada
de que tudo é eterno (inclusive nós)
faz com que percamos
a beleza do efêmero.

Esquecemos que o volátil
e o inesperado
são sinônimos do humano.

Quando saberemos escolher nossas palavras?

Acreditar,
(hein, fim?)
que a possibilidade de estar vivo
e ser feliz fazendo aqueles que amamos
felizes
é sempre mais forte
do que o medo da perda.

Vamos rasgar toda a gramática!
Vida rima é com coragem!

quarta-feira, novembro 04, 2009

Pasmem

O que fazer
quando o futuro
não é
como esperávamos?

Seguir, seguro
que o destino
se equivocará!

terça-feira, setembro 01, 2009

Ouse enfrentar o futuro

Por que tantos suplicam para que o tempo pare?
Não quero um momento fóssil, como uma foto muda. Conquistemos uma melodia inteira,
ainda que seja
passageira.

O eterno não faz sentido: o tempo pulsa estalado entre meus pulmões.

Finito como todo amor é.

segunda-feira, abril 06, 2009

Coerência

Minha vida é apostar no improvável.
Transformar o impossível
em inevitável.

Se me chamam de louco,
não me importo
nem um pouco.

Podes sorrir.

Pois o futuro vai lhe desmentir.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Incoerência

Depois de muita reflexão,
decidi então:
não falarei com
ninguém.

Mesmo assim, ninguém fala comigo.

É, esse ninguém é mesmo engraçado,
sem perceber o ocorrido
ele havia me tornado.

terça-feira, novembro 11, 2008

domingo, outubro 26, 2008

Uma cisma contigo

Liberdade é ter
uma cisma contigo.

Enquanto o mundo é prisão,
você é meu abrigo


Ria da gente: finja ser inteligente!
A farsa se tornou a rotina dos casais.

O ridículo nem sempre é uma escolha
Nós queremos ser felizes e eles querem ser normais!

domingo, setembro 21, 2008

Plágio em texto meu

Olá pessoal,
Acabei descobrindo por acaso que um texto meu, de 2005, chamado "Moleca", está circulando na internet e está em vários "perfis" do orkut, fotolog, sites, etc. O lado ruim é que não divulgam o autor, que no caso sou eu. E o PIOR: ganharam um promoção, no site DNA MULHER, que tinha o prêmio de um carro, plagiando a última frase deste texto, conforme está na comunidade do orkut:
http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=40149967&tid=5220715563628219468&start=1

E abaixo os profiles e alguns sites que eu vi que tem o meu texto.

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080823191345AAV9toU
http://www.flogao.com.br/pirulitojj/foto/208/123693226
http://osguardanapos.blogspot.com/2008_04_01_archive.html
http://luhbarcellos.blogspot.com/
http://www.flogao.com.br/lalinhaaaaa/foto/111/89967874
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=11908106053090942204
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=454964695567649658
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=1350274110817050084
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=686518846457674435
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=402944598059426758
http://www.fotolog.com/paulinhaah_blitz/46878480
http://www.fotolog.com/talita_s/39350131
http://www.fotolog.com/srtapitty/43863558
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=12782302952932308516
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=17789684964787145604
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=12211403162260936169
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=10224703937878008608
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=12427004806570212041
http://www.orkut.com.br/Scrapbook.aspx?uid=12427004806570212041
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=4370039319597159426
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=16497120616183922466
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=16497120616183922466
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=9717068177100273262
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=1395956808284852745
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=7677667309480832148
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=10136881080961353571
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=7674059604282465873
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=3256151249897245324
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=10870980779662316330
http://www.orkut.com.br/Scrapbook.aspx?uid=4682599164517629456
http://www.orkut.com.br/Profile.aspx?uid=6220981656083571956





Moleca
Ser moleca é caminhar sem se prevenir. Olhar sem se preocupar. Correr sem olhar para trás. Ser moleca é usar decote em dia frio, andar descalça na areia molhada, é rir tanto, mas tanto, que dói a boca e dá falta de ar. É jogar bola com os amigos, chegar suada em casa e com cabelo na boca. É pular muro para ver o vizinho. É cantar bem alto no sábado de manhã. Ser moleca é gritar no travesseiro, comer sorvete tão rápido que chega a dar dor de cabeça. É ir sozinha no cinema, ficar boba com o neném no carrinho. É desenhar corações no caderno de matemática. Ser moleca é olhar para os homens com ar de ingenuidade, ser carinhosa e bruta ao mesmo tempo. É correr de salto alto, borrar a maquiagem, fugir do inspetor do colégio. Ser moleca é lamber os dedos depois de comer pipoca doce, escrever bilhetinhos de amor, chorar calada no quarto. É viajar sem falar com a mãe, rasgar fotos de ex-namorados, tirar fotos com namorados novos. Ser moleca é dançar sem música, colar na prova de português, abrir o olho enquanto está beijando. É vestir-se de homem em festa junina, abraçar com vontade, sentir saudade quando menos se espera. Ser moleca é roubar doce na padaria, bater a porta quando está zangada, falar de sexo com as amigas. É deitar na grama, pegar chuva despreocupada, sorrir com bala presa no dente. Ser moleca é subir em árvore, tentar tocar violão, ficar apaixonada pelo galã da novela, ficar apaixonada pelo galã da sala ao lado, ficar apaixonada pelo não tão galã irmão da sua amiga. É pular para entrar na calça jeans, arranhar o joelho, quebrar a unha. Ser moleca é sonhar em passar no vestibular. É ficar bêbada e não se lembrar no dia seguinte, trabalhar em loja de roupas, transar no elevador. E na escada. E na praia. E mais onde der. Ser moleca é falar de filosofia no bar, indignar-se ao ver um mendigo, construir um mundo melhor. É estar feliz e triste na festa de formatura, procurar emprego, querer morar sozinha. Ser moleca é falar com um cara no elevador, trocar telefone, usar véu e grinalda. É reclamar do salário, perder a conta de luz, jantar a luz de velas. É andar de mãos dadas no parque. Ser moleca é sentir vontade de comer morango às quatro da manhã, escolher um nome, comprar fralda. É chorar sem ter porquê, dizer eu te amo, dormir abraçados. É viajar para a serra, bater queixo de frio, tomar chocolate quente. Ser moleca é levar no colégio, olhar dever de casa, reclamar com a professora. É botar band-aid, dar dinheiro pro lanche, comprar camisola transparente. Ser moleca é esperar acordada no meio da noite, ganhar flores, ser simpática com a futura nora. É ficar na fila do banco, fazer palavra cruzada, ver novela das oito. É entrar pela porta da frente do ônibus, jogar baralho com as amigas, é rir tanto, mas tanto, que dói a boca e dá falta de ar. Ser moleca é viver tão intensamente que o tempo se transforma em um mero detalhe.

domingo, março 16, 2008

Banal

A derrota
me consome
como se nada mais existisse.

O olho árido por não ter lágrimas.
E a poesia se torna
um diário (ou quem sabe um divã).

O vento nunca foi tão frio. E a chuva, tão sem graça.

Talvez esta seja a melhor maneira de lidar com a dor:
abraçá-la, e de mãos dadas caminhar por aí.

Sem destino. Nem hora para voltar.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Nova Marca

Chegamos as 4,475 visitas e 9,323 páginas vistas, o que é um número bem legal para um blog que a única forma de divulgação é meu profile no orkut!!
obrigado a quem visita e continuaremos postando, mesmo que meio lentamente ;)

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Dialética

Quando você a quer,
ela diz não.

Quando não quer,
ela te procura.

Será amor
ou loucura?

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Meu mundo

Sou daqueles que olha o mundo
para tentar entendê-lo.

Não só chorar pelos que sofrem,
ou sorrir para esquecer
a própria dor.

Minha solução não é individual
(muito menos
as minhas perguntas).

O que me angustia
é tão infinito
quanto a própria humanidade.

Um dia você entenderá
que o mais feliz dos homens
é aquele
que de tanto tornar outros homens felizes
transforma a felicidade em algo banal.


Não me revolto pela morte.
Me revolto por não ter vida em plenitude.

Sou daqueles que olha o mundo
para tentar entendê-lo.
E mudá-lo.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Lembranças

Feche os olhos e reveja

tudo que fez

nas últimas sessenta semanas.


Parece muito

(mas sempre é tão pouco).


Os risos que deu.

As chances que perdeu.

Tudo que

conquistou.


A felicidade e a dor de ter vivido

(independente do que se sonha)

sempre faz algum sentido.

sábado, dezembro 08, 2007

Noite

Vamos beber

até não agüentar mais.


Falar o que a gente quer

sem pensar.


Rir com os amigos.


Mandar para puta que pariu todos que odiamos.


E assim

lembrar que nesse mundo chamado lucro

o humano ainda é extraordinário.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Geração futura

Não me venha com sua indiferença,

dizendo que não.

Elevemos nosso sonho ao mais alto

possível:

colado ao chão.




segunda-feira, outubro 01, 2007

Sua paz

Você defende

A tortura

A ameaça

O tiro

A tropa

A elite

A arma

O medo

A farda

A humilhação

A vingança

O sangue

A repressão

e a paz.

Capataz.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Mudanças

A vida segue
e não espera que você entenda.

Os sentimentos se desfazem,
as vontades cessam.

Só os sonhos
(coitados)
que lá continuam.

terça-feira, agosto 07, 2007

terça-feira, julho 17, 2007

Expressionismo

Queria te dizer o que sinto,
mas o eu te amo
tornou-se tão banal.

Escolhi então me calar:
que o tempo
fale
por nós dois.

quarta-feira, junho 13, 2007

Conjuntura

Para Mariátegui

Estranhos tempos são esses
em que é tão incomum
guiar-se pelo coração.

terça-feira, maio 29, 2007

O que precisamos

Muitos buscam o amor infinito,
puro
perfeito
sem lamentações.

Esse amor adequado
moldado e intolerante.

Quando vamos entender
que amar,
mais do que querer,
é aceitar?

Se esse dia chegar
não precisaremos desenhar corações
nem reafirmarmos (como uma ameaça)
a propridade um do outro.

Seremos livres pois estamos juntos
e todos saberão do nosso amor
apenas ao nos olhar.

segunda-feira, maio 07, 2007

Compromisso

Estão lá eles
esperando:
não sabem muito bem o quê.

Apenas esperam;
e assim suportam
o futuro que não virá.

Cotidiano de delírio
no asfalto de cachaça.

Uma vida guiada pelo ruído
barulho
riso.

Só que já é de noite
E eu tenho mais o que fazer.

domingo, abril 29, 2007

Responda quem puder

Enquanto o tempo dita
o ritmo,
continuo dançando
desengonçado,
sem saber como será a próxima música.

Tenho a ligeira impressão
de que dançaria melhor
se nada escutasse.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Valeu ;)

Obrigado a quem visita o blog. Chegamos a marca de 2 anos, e ele não tem NENHUMA divulgação na internet para além do meu profile no orkut, e do "boca-a-boca" realizado por meus amigos. É apenas uma forma de guardar minhas poesias para além do meu computador. E hoje chegamos a 3,032 visitas e 6,455 páginas vistas. Valeu mesmo :)

Rendição

Quando o mundo conspira contra você,
não importa o quanto se dedicou,
o que
fez
ou deixou de fazer.
Nada acontecerá.

Mesmo que você rasgue sua
insegurança,
respire fundo e acredite no improvável,
vai dar errado.

E não adianta tentar outra vez.
O melhor é aceitar o destino e implorar para que ele mude.

Não?
Ah, é porque você é jovem, meu garoto...
Um dia você aprende que o melhor
é viver de joelhos.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Condenação

O tempo cessará todas as dúvidas
e sepultará todas as certezas.

As angústias que agora tenho serão superadas
(ou substituídas por novas).

A única verdade
é que estou (estamos) sempre em transformação.

Do caos iminente nasce um novo amanhã;
novo, não por ser outro dia,
mas porque queremos que assim seja.


Uns chamam isso de otimismo.
Eu prefiro sussurrar bem baixinho:
liberdade.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Previsão

Suspeite se
alguém demonstra muita satisfação
quando está ao seu lado
mesmo sem te conhecer profundamente.

Suspeite.

Se ela te valoriza por tão pouco,
pode te menosprezar
por menos ainda.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Outra vez

Mais uma hora
um dia
um ano.

O amanhã está em nossas mãos.

Novas tramas,
novos traumas

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Nossa imprecisão

Só quero saber dos seus sorrisos e abraços.
Vou esquecer tudo de errado,
o que não foi como gostaríamos.
Vou relembrar um novo passado, aquele que deve estar sempre conosco
quando o futuro teima em não confirmar previsões.

Não preciso de dias magníficos, nem de noites com lua cheia.

Cada vez me convenço mais:
amar é compartilhar defeitos.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Acredite

Acredite em mim
quando digo
é possível mudar.

Não precisamos nos acostumar
com a dor em nossa alma
e o peso da infâmia
em nossos ombros.

Se hoje os ventos são tortuosos,
e os caminhos, obscuros
amanhã fará sentido.

Olhe a sua volta.
Será que não vê
tanto sofrimento,
tanta dor?

Felicidade só existirá
quando for para todos.

Acredite em mim
quando digo
é possível sonhar.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Quando der

Pensei que você estaria ao meu lado
mas fui enganado
por mim mesmo.

Nada existe entre nós.

Apenas meus sentimentos vagos
jogados

sem sentido.



Nosso planos foram deixados para nunca mais.

terça-feira, outubro 17, 2006

Equívoco

Quando te conheci,
naquela rua, sem querer
logo pensei:

Não fomos feitos
um para o outro.


O destino não reservaria para mim
um sorriso como aquele.

Como, num dia qualquer,
poderia encontrar
alguém que me entendesse
quando nem eu mesmo
quero explicações?

Não era possível imaginar
nossas mãos
dadas.


Mas eu estava errado.

Ainda bem.

sexta-feira, outubro 06, 2006

À espera

Os pássaros esperam
sempre
o retorno da manhã.

O momento no qual o frio
vai embora
embalado por raios de sol.

Quando só existe canto e pio.
O vôo sem destino.
Nada de gaiola mundo.
Apenas o necessário.


Entretanto,
o céu alaranjado-cor-de-rosa
olha
apreensivo.

Logo carros,
barulho,
gente,
sujeira,
gritos,
palavras,
dominarão seu suspiro.

E os pássaros
voltarão a ficar quietos,
à espera da manhã.

O momento único em que eles são livres de verdade.

sábado, setembro 30, 2006

Preciso

Do seu jeito.

Do seu sorriso singelo.

Das suas loucuras.

Da chuva fria que nos pega de surpresa.

Do seu olhar profundo.

Da sua risada estranha.

Do seu beijo intenso.

Do seu até logo que me pede para voltar.

Das músicas que você ama.

Dos seus esquecimentos.

Das suas piadas sem graça.

Das suas noites sem sono.

Do seu corpo.

Do seu medo do futuro.

Das suas reclamações.

Do seu café da manhã sem avisar.

Da sua voz ao telefone.

Do seu feliz aniversário a meia noite em ponto.

Das músicas que você detesta.

Da sua saudade.

De você dançando.

Da sua mãe falando para gente terminar.

Dos seus abraços apertados.

Da pizza que mata nossa fome.

Dos dias que trazem sua ausência.

Da última sessão no cinema.

De você chorando.

Do garçom nos expulsando do bar.

Da sua teimosia sem sentido.

Do livro que você comprou errado.

Do seu sorvete que sempre derrete.

Do som alto com a casa vazia.

De seu cabelo molhado.

Do Sol amanhecendo nosso dia.

Da viagem sem dinheiro.

Das festas em que só existia você.

De você dizendo que eu não te dou valor.

Do seu cheiro.

Do seu eu te amo.

De uma poesia para viver.

terça-feira, setembro 19, 2006

Horizonte

Não sabia o que procurar.

Mas não poderia ser diferente:
antes de te conhecer
tudo era
tão normal.

Pouco
a pouco
descobri
o que nem esperava entender.


Sim,
você está certa.


O infinito é logo ali.

domingo, agosto 20, 2006

Sobre nós dois

Procura-se
um fim de tarde
com um pôr-do-sol
único.

Impressionar-se é o primeiro passo para amar.

Risadas
sobre nada de importante.
(aliás, mudei minha visão sobre o que é realmente importante)

Só eu e você entendemos o porquê.

Um filme desconhecido
com explicações mirabolantes no fim.

Uma grama úmida para conversar
e assim
descobrir qualidades que nem imaginava.

Uma noite fria e um coração quente:
abraçados sem pensar.



Andávamos de mãos dadas
num caminho sem fim.

Sinto saudade
de sentir saudade.

sábado, agosto 12, 2006

Certeza

Cada dia que passa
mais uma certeza
me ilumina.

A vida é cruel,
mas as mulheres
são piores ainda.

Recomeço

Enquanto olhava o presente estático
não sabia
o que
fazer.

O tempo me enclausurava.

Mas ao invés de fugir do cárcere,
o destruí.

Com os pedaços do que sobrou
recomeço o futuro
e com ele
toda minha vida.

sábado, julho 29, 2006

Indefinição

Confundo
minha vontade
de conquistar
com minha capacidade
de me
enganar.

O futuro
desmorona
a cada
segundo.

quarta-feira, julho 05, 2006

Para você

Querem que você repita.

Repita o que os outros dizem.
Se falam mal de você,
fale mal também.

Se te elogiam,
elogie.

Use as roupas certas
e pareça agradável; nunca
frágil.

Só que hoje
a rotina se foi:
minha alma
é só esperança.

Onde menos esperava
estava
o motivo para acreditar
que tudo
valhe a pena.

sábado, julho 01, 2006

Sem escolha

Pior do que dor
É decepção.

Dor é intensidade.

Decepção,
melancolia.

Como um fim de tarde
no qual tudo poderia
ser tão
diferente.

segunda-feira, maio 29, 2006

Se estivesse comigo

Não iria escrever esse poema (talvez nenhum em minha vida)
se estivesse
comigo.

Não seria perfeito.
Nada é.

O que queria
era a chance de errar
com você
ao meu
lado.

Mas o que
me restou
foram esses versos.

E assim termino mais um poema.

sábado, maio 27, 2006

Adios

Vou escrever um poema hipócrita.

Com autoridade,
não utilizarei rimas nem métricas
só precisarei das palavras,
da minha vontade
de escrever e do leitor.

E você,

quando ler

vai chorar.

Mesmo sem lágrimas.

Mesmo se estiver sorrindo.

Vai chorar.


A dor é tão forte que extravasa sua alma.


Pare de fingir.

Você morreu
bem antes
de se matar.

domingo, maio 07, 2006

Solução

Quero que cesse.

Agora.


Não como filme, com explosões e gritos de socorro.
Choro.

Apagar. Breu.

O futuro faria ainda mais sentido.

Pois só assim
ele realmente seria
o que é.

Tudo acaba.

domingo, abril 30, 2006

Esqueça

Só vejo ela sofrer.

Os bons momentos evaporam
pouco a pouco
em cada lágrima.


Raiva por não ser tudo perfeito.
Ela está presa no próprio peito.


Não se acorrente em mim.

Vamos compartilhar nossos erros
e esquecer de ser feliz.

sexta-feira, abril 21, 2006

O que eu quis

Me venderam o sonho errado.

Quero meu dinheiro de volta
(como se fizesse alguma diferença)

domingo, fevereiro 26, 2006

Chance

Eu disse:
está tudo bem.
Mas não está.

Num barco
parado
no meio
do nada.

Acho que joguei os remos fora
e rasguei a vela.

Tomara que não.

sábado, novembro 26, 2005

Saudade

Ela apareceu,
e me deu um soco na nuca.

Um chute no estômago.

Uma cotovelada na cara.

Foi embora.

Finjo:
Nada aconteceu.

sábado, novembro 12, 2005

Premiação

Ola Pessoal!
Descobri hoje que fiquei em sétimo lugar no XVI Concurso Internacional de Poesias!
Eram mais de 2500 trabalhos de 12 países participantes!
As poesias premiadas foram:
"O aviso"
"Sonho"
"Eu e você"
"Dedicatória"

Valeu todo mundo pela força e se puderem continuem visitando o blog :)

sexta-feira, outubro 28, 2005

Ensinamentos

O que o poeta
tenta
com
palavras
você consegue
com
viver.

Sua simplicidade
inundou
meu mundo.

Sou todo
reverência.

terça-feira, outubro 18, 2005

Trajetória

Nesse meio tempo,
o aperto que sinto
entre os pulmões
transformou-se em pensamento,
e depois,
palavras.

Agora,
espero apenas você ler.

Quem sabe o tempo não retorna.

E pelo caminho inverso
serei verso
dentro de ti.

domingo, outubro 09, 2005

Decreto 1/2005

Se fosse eu
soberano do mundo,
decretava uma lei
que obrigaria
a todos dizerem
bom
dia
ao andar na rua.

Obrigado,
Ao motorista.


Licença,
A senhora idosa.

De nada,
Ao estenderem a mão para um alguém desconhecido.


Essa lei também obrigaria
a todos terem
uma boa soneca
após almoço.


“Cláusula No 5:
Todos devem parar
para ver o pôr-do-sol ao entardecer, com obrigatórios cafunés
e massagens
nos pés.”

Todo trabalho inevitavelmente será arte.
Toda dor será parte e não mais
todo.


De noite,
todos deverão
tomar chocolate quente
e usar cobertores coletivos
para se esquecer (e lembrar)
do frio.


E no fim,
a bendita lei
terá um parágrafo único:
“Só terá esta validade, caso você continue a estar aqui”

sábado, agosto 13, 2005

Sonho

Espero o dia
no qual
não precise
classificar
nada.

Isto,
amor.

Aquilo,
medo.


Em que o vento frio
da manhã
sopre o sentir.


Eu, calado,
apenas olhe
o infinito.

E a poesia
não fará
mais
sentido.

Nem o poeta.

Ao acordar

Antes,
para ocupar meu tempo
tapava meu vazio
com sorrisos
sem sentido.

Como vício,
repetiam-se.

Hoje,
sorrio
menos.

Ao seu lado,
o mundo
é que sorri
para mim.

sábado, julho 23, 2005

quinta-feira, julho 07, 2005

Nem sabia

mas estava te esperando.


Até mesmo
aquele fim de tarde
que parecia
não fazer
sentido,
era o palco
para o tempo
ir embora e sussurrar
seu nome.

Os relógios
derretiam.

O silêncio gritava.

Eu
apenas esperava.

Esperava que
você
me
esperasse
também.

Mas,
pelo jeito,
vou ter
que esperar
outro
alguém.

quarta-feira, junho 22, 2005

Conserva dores

Tentam nos forçar
a seguir os mesmos
caminhos.


Repetidos.


Brindes
banais.

Promessas
de sempre.


Entretanto,
não precisamos
temer
nada.


Nós estamos
certos.

A vida
é que está
errada.

domingo, junho 12, 2005

Deveria

Cuspiram na minha cara
quando quis entrar
nesse filme melancólico
chamado amar.

Pediram-me pra ser igual
a todo mundo. Seguir
a cartilha
e
decorar.

Mentir nas horas certas.

Chorar nas erradas.

Reclamar quando menos se espera.

Olhar quando se cala.



Estar contigo
deveria ser
abrigo
e não
prisão.

sexta-feira, maio 13, 2005

sexta-feira, abril 22, 2005

Encontro inesperado

Um dia
Acordei querendo
Escrever uma poesia

Esperei então
Que uma mulher
Mais bela que tudo
Aparecesse
E trouxesse
O transcendental
Com o seu olhar

Mas ela,
Ingrata
Não apareceu

No dia seguinte
Esperei que um anjo
Viesse do paraíso
E sussurrasse
Algo em meu ouvido

Mas ele,
Idiota
Não apareceu

No outro dia
Fiquei olhando
Um vaso
Com a esperança
De que ele
Me doasse
A iluminada inspiração

Mas ela,
Incapaz
Não apareceu


Depois disso
Fiquei lendo a gramática
Esperando que ela
Através de sua magnitude
Me concedesse
O Dom da escrita

Mas ela,
Orgulhosa
Me deu foi nada


E continuei assim
Dia após dia
Procurando
Uma poesia

Bem,
Acho que encontrei

domingo, abril 10, 2005

Minha Arte

Não costumo postar poesias de outros autores.. mas vou abrir uma exceção para a Amanda. Gostei de algumas poesias dela, em especial esta que aí está (também é uma "homenagem" a ela e seu jeito de escrever, aparentemente direto, mas extremamente denso, profundo, sincero.)

MINHA ARTE


“Ser artista é expressar idéias e sentimentos”
Mas por que expressar sentimentos à pessoas que não os sentem
Da maneira que sentimos?
Se sentem coisa que são resultados da indiferença
Se sentem coisas que são resultado do individualismo
Se sentem coisas que são resultado do conforto
Se sentem coisas que são resultado da mesa que sobra

E mentem os homens, uma constante, expressando vontades
Fingindo emoção
Arrancando sustento do que dizem arte

Porém eu me expresso por necessidade
E quando o vômito me vem a boca
Pego o lápis, entre tanto outros objetos que poderia pegar
Por causa da insatisfação
Da revolta de tudo que eu e outros engolimos, além do vômito.

Não precisará muitos minutos para surgir
Lembrar da rua, do homem, da política
Da palavra, do silêncio, do grito
Do sangue da bioneta
Da madame, da lavadeira
Da mansão, da ponte, ....

E isso será arte?
Pode ser possível arrancar sustento, mas
Nem todos estão interessados no meu poema,
Muitos já tem a própria vida, e nela
O seu constrangimento.

Sinto que minha arte não é suficiente
Para comprarem minha utopia,
Porque ela não é lucrativa
E sim destituída de conceitos estéticos.
Não é feia, nem bonita
Não se propõe a ser esquecimento
Abrandamento
O que eu proponho, com ela, é a não fuga
Eu escrevo para não enlouquecer!

Mas você pode jogar meu poema pela janela
Se não gostar
Eu também joguei muitos
Eu faço poema da indignação, da revolta, da dor
Meu poema você lê no jornal
Você vê na rua
E pode lê-lo no partido
No seu sindicato
Ele pode não cair com o muro
Pode existir a cada lata de alumínio

A cada papel no chão
A cada qualquer coisa que exista porque teve motivo para existir
Ou a cada qualquer coisa que exista, mesmo que por acaso
Que é fruto do motivo.

Indefinido, desrespeitado ao acaso
Como o próprio homem
Descartável
Depois da fábrica,
Depois do consumo,
Antes dos 14 anos e depois dos 65 anos
Como meu pai, minha mãe
E os seus


Mas você pode jogar meu poema pela janela
Afinal ele pode não ser
Um poema para você
É triste e mal humorado
Tenta parecer com o homem ansioso
Pelo sinal do final do expediente

Gostando ou não ficará na sua memória
Porque mesmo queimado
Meu poema está além deste papel
Mais cedo ou mais tarde
Alguma coisa lhe fará lembrar dele

Talvez o sinal
Talvez o revólver na sua cabeça
Talvez a bala perdida ...

Porque ele é presente, e poderá ser qualquer coisa
O gari, o bancário, o professor, o pivete
Meu poema pode não morrer, porém eu morrerei
Em parte
Meu filho, meu neto e os seus
Farão outro poema real.

sábado, abril 09, 2005

Trauma

Tem vezes que prefiro
fingir que não
ouvi

É como fechar
os olhos
e
deixar

de
existir

quinta-feira, abril 07, 2005

domingo, abril 03, 2005

Neurastenia

Sinto uma angustia tremenda, minhas mãos
estão tremendo. Sinto minha mente pulsar, meus pulsos
estão ardendo. Sinto minha alma latejar, meus braços
estão doendo.
Estranha vontade essa de destruir
tudo
por
aí.
Quebrar cada praça, cada
vidraça. Cada velhinha chata.
Calar a boca de todos .
Apagar os jornais.
Emudecer as canções.
Esquecer as sanções.
Esmigalhar os policiais.

Costumo enganar-me, mas não
dessa vez.
Algo me diz que estou começando a ficar normal.

domingo, março 20, 2005

Pela manhã

Caminhando e cantando
Calmamente
Me deparo
Com uma tempestade

Continuo a caminhar
E a cantar
Mas não tão calmamente
Pois a tempestade
Deságua minha alma

Que posso fazer?

Apenas continuar
A caminhar
A cantar
Pois sei que não estou sozinho

Na tempestade
Cada gota também é orvalho

segunda-feira, março 14, 2005

domingo, março 13, 2005

Lágrimas sobre as ondas

Passos largos
às vezes são escassos.
Nem sempre tudo está
ao alcance dos meus braços.

Erros não vistos
por esse menino solitário,
caminhando sem pressa
rumo ao inesperado.

Temo o desconhecido,
meu grande inimigo,
através das preces socorrido.
Liberto da dor.

Lágrimas sobre as ondas
não são notadas.
Insignificantes como quase tudo
que se faz por amor.

Mas ainda acredito
que serei recompensado.
Não há tempo perdido
apenas não lembrado.

Meus sonhos continuam
a serem cultivados.
Para eles até mesmo
da razão me desfaço.

E sigo
não tendo mais motivos
para acreditar na solidão.

Seja por onde eu andar
você estará sempre comigo.

Dominando minha mente.
Angustiando meu peito.
Rasgando toda desilusão.

quarta-feira, março 09, 2005

Tato

Olho
para minha
vida
e lá estou,
olhando
para minha
vida.



De repente,
você:



E não vejo
mais nada.

quinta-feira, março 03, 2005

busca

entre
eu
e
você:
uma imensidão de sonhos.


entre
você
e
eu:
um suspirar de desejos.


entre:
diz o adesivo
na porta transparente
do banco.

entre
tanto
não
consigo
sair
de mim.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Vir a ser

Todo poeta
é otimista.

Antes mesmo
de começar a escrever
ele tem que ter a certeza
de que vai conseguir
transformar
o que sente
e o que vê
em palavras.

Acreditar
que sonhos
e medos
podem ser
sentidos
por quem
lê.

Um otimismo
alegre,
mas também
triste.

Um otimismo necessário.


Pois ser otimista
não é achar que vivemos
em um mar de rosas.

Não é fechar os olhos
para os problemas.

É mesmo sem saber
para onde
(nem o porquê),
continuar a caminhar.


É a cada passo
seguir o último.

É viver
o futuro
pois o presente
não é bastante.

sábado, fevereiro 19, 2005

o aviso

ilude:
viver
faz mal
a saúde

Poes(v)i(d)a

Sinto a brisa suave dos ventiladores
Abrandar nossas dores
A amena chuva do ar-condicionado
Lavar o nosso espírito rejeitado
Volátil passeio entre a vida.


Vejo o olhar doce dos credores
Transformar nossas quantias em amores
O falar manso do deputado
Afagar com cinismo nosso grito agoniado
Sublime mantenho minha ida


Meu limite é o infinito
A saudade que não tem fim
Sou o erro mais bonito
O mundo inteiro vive em mim
Sou poeta, sou dor
Sou a desculpa do eterno amor

domingo, fevereiro 13, 2005

A dapt a

A vida não foi feita para acreditarmos.
Não foi feita para iludirmo-nos.
Foi feita para aceitarmos,
sem reclamações.
Apenas engolir
o que foi imposto.
Acatar o que foi proposto.
Rezar pelo o que não virá.
Você pode me chamar de cético,
mas eu
não sou o único.
Tem muitos ainda por aí.
E são eles que
ditam as regras.
São eles que
controlam as rédeas.
A felicidade e o poder caminham de mãos dadas.
Seja um carro,
um olhar,
uma desculpa.
São apenas interesses.
Todos para o mesmo saco!
Egocentrismo barato!
Vivemos por nós mesmos.
Vivemos caminhando aos joelhos.
E isso me incomoda.
Mas
não deveria
Sim, não deveria
Pois viver
é isso.


É melhor eu me acostumar.

sábado, fevereiro 12, 2005

Extenuante amor

Não entendo toda essa indiferença.
Preferia que você me odiasse.
Pelo menos perceberia que existo.
E não haveria toda essa angústia,
ingrata e sumária,
atrofiando minha alma.

Não mais sei onde está minha razão.
Sucessivamente entro em discórdia comigo mesmo.
Não consigo distinguir a felicidade do sofrimento,
o alívio da dor.
Um emaranhado de emoções
e sentimentos,
alastra-se por dentro de mim.

Todas as juras estão engasgadas.
Sufocadas.
Esta estranha amargura entranhada
teima em apoderar-se
do meu peito,
nele criando um vazio inimaginável;
Só me resta aceitá-lo
e tentar transpô-lo
com os últimos suspiros mórbidos que possuo.
Até que a ultima gota
de meu sangue
esvaia-se pelo cálice da eterna saudade.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

(Ap)ego

Hoje,
eu acordei querendo escrever
uma poesia para você,
dizendo tudo que sinto.

Minto.
Não consegui ao menos começar
mais um clichê idiota sobre amar,
que rimasse paixão com coração.

Estou cansado desses casos de novela,
que balela,
onde tudo é tão bonito.

Quero um amor inquieto,
que não ligue para normas sociais.
Que seja mais que um cartão ou uma flor.
Que transforme o cotidiano em saudade.

Sigo
mantendo minha contradição
entre a razão e a emoção.

Um equilíbrio impossível.

Mas
não tenho medo em continuar.
Vou aprender a superar
todos os erros
e as minhas desilusões.

Porque você não vem ficar
perto de mim
E entrelaçamos nossos corpos enfim?

Ao adormecer

Como vento o tempo passa
Carregando indiferente
A beleza da desgraça
Transformada em semente

E a joga para longe
Aonde irá florescer
Incansável monge
Em nosso temer

Mantidos na espera
Somos grãos de terra
Sem prosperar

Se saímos do ninho
Somos passarinho
Prontos a voar

Gestação

O mundo está cansado.
Gira sempre para o mesmo lado.
Tonturas que magoam e ferem.

Não pedi parar ter um destino
que se repete a cada segundo
e muda sem ao menos perguntar.

Esses falsos benefícios da maturidade
apenas me trazem amargura e lamentações.
O amor e a felicidade estão longe,
escondidos no fundo de meu âmago,
em um passado longínquo mas que ainda me pertence.
Não aprendi a lidar com as ilusões que não tenho.
Sou inocente.
Os dias só aumentam a minha escuridão uterina.

terça-feira, fevereiro 08, 2005

A maré

amar é


Possuir-se

Olhei na fechadura
procurando ver nua.
Mas só consegui
ver a sombra do rosto,
as curvas do corpo.
Nada mais.

Olhei nos olhos
procurando ver alma.
Mas só consegui
ver o reflexo dos meus,
a aridez dos olhos.
Nada mais.

Olhei nos dedos
procurando desejos.
Mas só consegui
ver a aspereza dos calos,
a rigidez das juntas.
Nada mais.

O que será que preciso
para o que é seu estar comigo
como fosse parte de mim?

Não basta o amor que sinto
que por mares labirinto
não procura um fim?




Semear

A poesia deve ser simples.
Simples como uma flor.
Não devemos buscar enigmas
em suas raízes,
nem procurar significados
em sua bioquímica.
Devemos apenas contemplar.
A crítica será sua essência,
não objetivo.
Uma bela flor no meio de um emaranhado de lixo
é crítica por si só.
Não precisa de uma placa,
nem de explicação.
Devemos plantar com nossas palavras a cada dia,
nossas flores poesia
Elas serão de graça,
livres.
Sem medo do ridículo.
Estáticas
aos nossos olhos,
inquietas
aos do universo.

Seria

Você apareceu
e


se foi.


Tão rápido.

Nem tive tempo
pra sonhar.

Cárcere privado

Eu e você
Presos um ao outro
Fiança?
Com fiança!

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Moleca

Ser moleca é caminhar sem se prevenir. Olhar sem se preocupar. Correr sem olhar para trás. Ser moleca é usar decote em dia frio, andar descalça na areia molhada, é rir tanto, mas tanto, que dói a boca e dá falta de ar. É jogar bola com os amigos, chegar suada em casa e com cabelo na boca. É pular muro para ver o vizinho. É cantar bem alto no sábado de manhã. Ser moleca é gritar no travesseiro, comer sorvete tão rápido que chega a dar dor de cabeça. É ir sozinha no cinema, ficar boba com o neném no carrinho. É desenhar corações no caderno de matemática. Ser moleca é olhar para os homens com ar de ingenuidade, ser carinhosa e bruta ao mesmo tempo. É correr de salto alto, borrar a maquiagem, fugir do inspetor do colégio. Ser moleca é lamber os dedos depois de comer pipoca doce, escrever bilhetinhos de amor, chorar calada no quarto. É viajar sem falar com a mãe, rasgar fotos de ex-namorados, tirar fotos com namorados novos. Ser moleca é dançar sem música, colar na prova de português, abrir o olho enquanto está beijando. É vestir-se de homem em festa junina, abraçar com vontade, sentir saudade quando menos se espera. Ser moleca é roubar doce na padaria, bater a porta quando está zangada, falar de sexo com as amigas. É deitar na grama, pegar chuva despreocupada, sorrir com bala presa no dente. Ser moleca é subir em árvore, tentar tocar violão, ficar apaixonada pelo galã da novela, ficar apaixonada pelo galã da sala ao lado, ficar apaixonada pelo não tão galã irmão da sua amiga. É pular para entrar na calça jeans, arranhar o joelho, quebrar a unha. Ser moleca é sonhar em passar no vestibular. É ficar bêbada e não se lembrar no dia seguinte, trabalhar em loja de roupas, transar no elevador. E na escada. E na praia. E mais onde der. Ser moleca é falar de filosofia no bar, indignar-se ao ver um mendigo, construir um mundo melhor. É estar feliz e triste na festa de formatura, procurar emprego, querer morar sozinha. Ser moleca é falar com um cara no elevador, trocar telefone, usar véu e grinalda. É reclamar do salário, perder a conta de luz, jantar a luz de velas. É andar de mãos dadas no parque. Ser moleca é sentir vontade de comer morango às quatro da manhã, escolher um nome, comprar fralda. É chorar sem ter porquê, dizer eu te amo, dormir abraçados. É viajar para a serra, bater queixo de frio, tomar chocolate quente. Ser moleca é levar no colégio, olhar dever de casa, reclamar com a professora. É botar band-aid, dar dinheiro pro lanche, comprar camisola transparente. Ser moleca é esperar acordada no meio da noite, ganhar flores, ser simpática com a futura nora. É ficar na fila do banco, fazer palavra cruzada, ver novela das oito. É entrar pela porta da frente do ônibus, jogar baralho com as amigas, é rir tanto, mas tanto, que dói a boca e dá falta de ar. Ser moleca é viver tão intensamente que o tempo se transforma em um mero detalhe.

Inquieto

Dizem por aí:
você não é poeta.
Você apenas escreve palavras.

Mas eu,
revido:

Não.
Elas que se inscrevem em mim.

1

Dificilmente digo o que gostaria.
Apenas xingamentos e reclamações que logo perdem o sentido.
Conselhos, declarações, desculpas que deveriam ser pronunciadas,
ficam guardadas em minha covardia.
Fruto da fraqueza e do amor.

Imagens que seduzem mais que palavras.
Verdades que se escondem atrás dos muros que crio.
Cárceres feitos pela dor,
por não saber o erro
que se esconde em minha insegurança.

Todos os discursos que ensaiei ficaram unicamente para mim.
Existiram só na frente do espelho,
na solidão do meu quarto.
Na noite fria que eu imaginava ao seu lado estar
e apagar todos meus lamentos.
São momentos pelos quais eu somente passei.
Não os dividi com ninguém.
E percebo que logo estarão aqui novamente,
prontos para reprimir-me.

Perfeição que estava tão perto,
foi denegrindo-se com o tempo.
Ao proclamar das dúvidas,
com o desmoronamento das certezas,
que pareciam límpidas e puras.

O dissabor da derrota carrega consigo a contestação dos fatos.
Das loucuras sensatas e realistas para quem as faz.
Unicamente sei o quão é prudente
recriar todo o provável.
Desfazer todas as intrigas.
Desatar toda a lucidez.
Desaguar sem pensar.
Sentir sem preocupar-se
no que vai dar.
Isto que vem
dentro
da
gente
rápido
rasteiro
que
me
faz
perder
o passado que parecia importante mas é bobagem.
Nada se assemelha
a essa estranha vontade
que tenho
de comprar
uma borracha
e um lápis
e
re
de
se
nhar
o universo...

Esperar tranqüilo todo o ensurdecer do mundo ir embora e calmo descansar.
Deitar vagarosamente e olhar para o céu, ver que agora
só existe uma pessoa:
nós.

Passeio entre nós

As ilusões são tão comuns
quanto o pôr-do-sol ou o amanhecer do dia.

Sabe aquela doce menina, que temos certeza que
está prestando atenção em nós?
De uma forma única, inspiradora?
Entretanto, ela nem sabe que existimos.
Mas foi esse “engano” que trouxe
força para demonstrarmos o que somos.
E rir, contas histórias, dividir sentimentos.
E assim percebemos que o antes
não faria diferença,
pois o que nos tornamos
apagou todo o passado.
E aquela doce menina transformou-se em Carla, que gosta de flores,
tem medo de avião
e sonha de mãos dadas.
E a ilusão foi o primeiro passo para despertar o sonho.

Tem outras vezes que estamos realmente sós.

Acredite,
esses momentos existem.
Não por nossa culpa ou dos outros.
Simplesmente somos cúmplices de nós mesmos,
dos nossos próprios porquês.

Precisamos estar sozinhos
para saber onde estamos.

E lá,
onde apenas existimos,
a ilusão de que isso não acontece com ninguém
e que vai durar pra sempre,
nos estanca.
Ficamos parados
sem saber
o que fazer.
Desesperados:
O que será de nós?

E esquecemos,
que a nossa volta
todos estão apenas esperando
o momento certo para chegar
e estender a mão. E a ilusão de que somos sozinhos
(na verdade estamos sós)
adormece nossa coragem.

A ilusão faz parte
de nossa vida.
Não queiramos acabá-la.
(também não conseguiríamos)

Mesmo o amor vive e morre
de ilusões.

Vamos passear entre elas.

Como aqueles que
ao encarar a tempestade
lembram de como é bom
o cheiro da chuva.

Começando

Bem, já tem um tempo que estou querendo mostrar o que escrevo. Daí vem o blog (também por falta de paciência para fazer um site). Vamos ver no que dá.